quinta-feira, 16 de outubro de 2008

[Reticências] Cap. 1 - Repent

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Ela saiu.
Fechou a cara, bateu a porta.
Ela saiu.
Com o seu passo apressado, cabelos ainda molhados.
Saiu batendo os pés, fingindo que era grande.
Saiu sem nem sequer deixar saudade.
Ao menos por aquele momento...
Ao menos por aquele súbito momento.
Saiu...como se não soubesse para onde iria.
Talvez nem soubesse...
Talvez ainda nem saiba onde está.
Deve estar parada em algum ponto de ônibus com aquela cara amarrada.
Deve estar telefonando para qualquer número da lista de seu telefone...
Qualquer número que ela saiba que vá realmente atendê-la.
Tudo bem que o primeiro número que vem a tua cabeça sempre é o meu.
Mesmo que ela finja...
Eu sei que é o meu.
Mas como iria ligar pra mim?
Como iria se a raiva que tem agora é culpa minha?
Como iria ligar justamente para quem ela acabou de tacar a porta na cara por causa de uma...de uma grande falha?
E eu me pergunto.
E de repente concluo: "Acho que dessa vez, ela não volta..."
Talvez não volte mesmo...
Se bem que durante esses 4 anos, ela tem ido e voltado da maneira menos peculiar possível.
E eu sei...Parte dessas idas dela foi por culpa minha...
Eu sei, eu sei.Todo mundo diz sempre que a gente vai se casar.
Todo mundo diz.
Mas sempre tem algo pra estragar.
É pateticamente incrível como sempre tem algo ou alguém pra ferrar com tudo.
Tudo bem que muitas vezes esse alguém que ferra com tudo sou eu...
Mas ela não é bem flor que se cheire.
Droga...
Mas ela é a flor que eu gosto de cheirar...
A flor que costuma rir quando eu digo alguma bobagem, a flor que chora quando eu vou embora, a flor que pensa que me esqueceu...
A flor que eu tento substituir quando dá na minha telha fugir de tudo, mas que nunca consigo achar alguém como ela.
Talvez se ela num fosse tão cabeça dura e eu mais ainda...talvez fosse.
Fosse tudo pra frente ao invés de regredir tanto sempre.
Talvez...
Se nós realmente nos dessemos conta do fato.
Talvez eu não a deixasse ir embora tantas vezes.
Talvez ela não ficasse tão nervosa por poucas coisas...
Até quando as poucas coisas são de larga escala.
Eu sei...
Ela pode não mais voltar.
Depois de tudo isso que aconteceu...
E se eu não fosse tão orgulhoso...ah se eu não fosse...
Talvez ela ainda voltasse.
Sei lá.
A grande culpa dessa vez foi minha.
Nem sequer esperei ela dizer algo que desse sentido a tudo que ela estava sentindo.
E eu fico aqui pensando o que ele pensou.
E eu fico.
E fico...
E vou permanecer aqui...nesse mundo ridículo e vazio.
Pena que eu ainda não percebi o quão ridículo ele é.
Pena que vou quebrar minha cara em um milhão de pedaços dessa vez.
E eu sei que, desta vez, ela não vai estar lá para ajudar a colar tudo no lugar...

1 comentários:

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Camila Gambeta disse...

Amei o blog!
Amei o texto!

Sou um misto dele e dela!
=D

Beijos!!!